Nos últimos meses, importantes mercados internacionais adotaram novas tarifas, salvaguardas, restrições sanitárias e exigências regulatórias com impacto direto ou potencial sobre as exportações brasileiras.
Estados Unidos, China, União Europeia e outros mercados vêm alterando suas condições de acesso. Em alguns casos, as medidas já representam aumento significativo do custo de entrada; em outros, novas exigências regulatórias podem afetar prazos, documentação e viabilidade das operações.
Principais mudanças recentes
| País / Mercado | Descrição da barreira | Impacto para empresas brasileiras | Fonte |
|---|---|---|---|
| Estados Unidos | Novas tarifas pela Seção 301. Desde julho, determinados produtos brasileiros estão sujeitos a sobretaxa adicional de 25%. Outra medida relacionada a trabalho forçado acrescenta 12,5% para determinados produtos. Quando ambas incidem sobre a mesma mercadoria, a sobretaxa acumulada pode chegar a 37,5%. As medidas seguem vigentes, embora Brasil e EUA tenham iniciado discussões para um possível acordo comercial. | Aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras aos EUA, tomando 2024 como referência, estão sujeitas às novas medidas. Dependendo do produto, o aumento do custo de entrada pode comprometer margem e competitividade e exigir a avaliação de mercados alternativos. | MDIC — Alcance das medidas tarifárias dos EUA |
| China — carne bovina | Salvaguarda com cota de importação. O Brasil atingiu sua cota anual de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas. Desde 1º de outubro, os embarques que excedem a cota estão sujeitos a tarifa adicional de 55%, somada à tarifa normal de 12% — elevando a incidência total para 67% sobre os volumes excedentes. | A medida altera de forma imediata a competitividade das exportações brasileiras de carne bovina para seu principal mercado externo e aumenta a importância da avaliação de destinos alternativos para novos volumes. | Reuters — China aplica tarifa após atingimento da cota |
| União Europeia — aço | Novo regime de cotas para importação de aço. Desde 1º de julho de 2026, a UE limita a entrada sem tarifa adicional a uma cota global de 18,3 milhões de toneladas por ano. Atingida a cota do parceiro comercial, as importações ficam sujeitas a tarifa extracota de 50%. A UE informou ao Brasil que está revisando a alocação das cotas, com potencial impacto positivo para o país. | Exportadores brasileiros de produtos siderúrgicos passam a precisar acompanhar não apenas a tarifa nominal, mas também disponibilidade e alocação de cotas, que podem alterar significativamente a competitividade ao longo do ano. | Comissão Europeia — Medida para importações de aço |
| União Europeia — produtos de origem animal | Restrições sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos. Após auditoria realizada no Brasil, autoridades europeias indicaram resultado positivo para as cadeias de carne de aves e mel, com expectativa de retomada das exportações após a conclusão dos procedimentos burocráticos. A autorização relacionada à carne bovina continua em discussão. | Enquanto os processos de habilitação não são concluídos, empresas afetadas podem enfrentar restrições de acesso ao mercado e precisam acompanhar requisitos sanitários e de conformidade aplicáveis a cada produto. | MDIC — Comunicado conjunto Brasil–União Europeia |
| União Europeia — CBAM | O regime definitivo do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) está em aplicação desde 1º de janeiro de 2026. O mecanismo estabelece obrigações relacionadas às emissões incorporadas em produtos como ferro e aço, alumínio, fertilizantes, cimento e hidrogênio. | Empresas brasileiras dos setores abrangidos precisam considerar requisitos de carbono e custos associados ao acessar o mercado europeu, acrescentando uma nova variável à análise de competitividade da rota. | Comissão Europeia — CBAM |
| China — lecitina de soja | Foram introduzidas novas exigências para exportação de lecitina de soja, incluindo licença de importação emitida pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA). | O requisito adiciona uma etapa regulatória à operação e reforça a necessidade de validação prévia de licenças, habilitações e demais requisitos aplicáveis ao produto no país de destino. | MAPA — Exigência para exportação de lecitina de soja à China |
| Indonésia | Em setembro, foi publicado novo regulamento com restrições às importações de produtos como farelo de soja, amendoim, feijão-mungo, trigo, pera e arroz. | Empresas brasileiras que comercializam produtos abrangidos precisam revisar as novas condições de entrada e os requisitos regulatórios antes de direcionar operações ao mercado indonésio. | MAPA — Novas restrições da Indonésia |
As medidas comerciais e regulatórias estão sujeitas a alterações, negociações e revisões pelas autoridades dos respectivos países.
Quando uma rota deixa de ser competitiva, qual é a próxima alternativa?
Uma tarifa adicional de 55%, uma cota que se esgota, uma nova licença de importação ou uma exigência regulatória pode mudar rapidamente a viabilidade econômica de uma operação.
Por isso, diante de uma nova barreira comercial, a análise não deve terminar no impacto sobre o mercado atual. É necessário avaliar quais outros mercados podem receber o mesmo produto e em quais condições comerciais, tributárias e regulatórias.
Essa avaliação envolve classificação fiscal no país de destino, tarifas de importação, acordos comerciais, tarifas preferenciais, impostos locais, medidas antidumping e countervailing, sanções, licenças, documentação e o Landed Cost da operação.
Trade Lane Analyzer: transformando mudanças de mercado em novas alternativas
O Thomson Reuters Trade Lane Analyzer, integrante do ecossistema ONESOURCE Global Trade, permite avaliar e comparar diferentes rotas internacionais a partir de informações sobre tarifas, impostos, tarifas preferenciais, acordos comerciais, documentação e restrições.
A solução relaciona o código HS utilizado na exportação com a classificação aplicável no país importador e identifica tarifas principais, impostos locais, tarifas preferenciais e medidas antidumping e countervailing aplicáveis a cada operação.
Dessa forma, se uma rota como Brasil → Estados Unidos ou Brasil → China sofrer uma nova barreira, a empresa pode comparar o mesmo produto em diferentes mercados e avaliar quais alternativas apresentam melhores condições de acesso.
O recurso de Landed Cost complementa a análise considerando impostos e taxas locais, licenças, acordos de livre comércio, medidas antidumping, countervailing e outros custos associados à operação.
Como a Ben Fatto pode apoiar sua empresa
A Ben Fatto é especializada em tecnologia para Comércio Exterior e parceira oficial de serviços e desenvolvimento da Thomson Reuters, com atuação nas soluções ONESOURCE Global Trade. Nossa equipe pode apoiar sua empresa com:
- diagnóstico do impacto de novas tarifas e barreiras sobre produtos e mercados atuais
- análise de Trade Lanes e identificação de mercados alternativos
- comparação de diferentes países de destino para o mesmo produto
- simulação de Landed Cost
- análise de tarifas, acordos comerciais e benefícios preferenciais
- identificação de restrições, licenças e requisitos documentais
- implementação e parametrização do Trade Lane Analyzer no ONESOURCE Global Trade
Em um cenário no qual as condições de acesso aos mercados podem mudar rapidamente, identificar novas rotas deixou de ser apenas uma alternativa e passou a fazer parte da estratégia de Comércio Exterior. Caso sua empresa queira avaliar o impacto dessas mudanças ou identificar novos mercados para seus produtos, nossa equipe está à disposição.
